Professor de Meditação | Psicoterapeuta da Alma & Life Coach | Orador | Escritor | Hipnoterapeuta | Sexualidade Sagrada

2 de dezembro de 2014

A Meditação e a Educação



Habituados a seguir o que já foi comprovado, o que já foi experimentado e por isso considerado certo ou 'normal', deixámos para trás a lembrança da possibilidade que temos, como missão aqui na terra, em resgatar o nosso potencial mais profundo... em simplesmente explorar o que somos e deixar que a nossa alma se revele. 
Felizmente e também graças a todo este esquecimento, já somos alguns a colocar em prática esta lembrança e a tornar real a autenticidade esquecida! No entanto, precisamos estar atentos à forma como o fazemos, pois corremos o risco de estar somente a prolongar mais do mesmo.

Sim, claro que é fantástico termos a meditação nas escolas.
Mas precisamos prestar atenção em que moldes essa disciplina se está a desenrolar.

Será que estamos a usar a meditação para tornar a alma mais livre... ou será que estamos a usar a meditação para que a formatação da qual somos 'vítimas gratuitas' seja ainda mais implementada e assegurada? 

Será que estamos a usar a meditação para levar cada ser, cada criança, cada professor ou pai à sua verdade interior, ou apenas estamos a usar a meditação para manifestarmos o poder subtil do ego em prolongar algo que só o subconsciente conhece e identifica?

Acredito que a abordagem e a actuação na ligação à implementação desta disciplina e de outras do género nas escolas, deverá ser executada de uma forma sóbria e verdadeira de acordo com a sua essência e fazendo fazer valer o seu verdadeiro propósito - ajudar o ser humano a tornar-se mais completo e mais inteiro na sua existência aqui na terra.

Como poderemos garantir que estamos a concretizar o verdadeiro propósito desta disciplina se mantemos o mesmo programa educacional, as mesmas actuações e os mesmos fios condutores na sua realização?

Acredito que é necessário rever todo o sistema educativo, o seu conteúdo programático e estudar a possibilidade de inserirmos a meditação não como a criação de condições para que os alunos possam ter melhores notas e cumpram o programa, mas como a base de uma educação livre, diferente e mais verdadeira do ponto de vista da realização do ser humano.

O ser humano precisa criar condições para ser autêntico, livre de medos, inseguranças, necessidades que se baseiem em poder ou materialismo. O ser humano precisa reconstruir a sua visão da vida e voltar a acreditar que é possível ser apenas o que é. Mais do que nunca é necessário criarmos condições para isso e tornar real o que já começamos a deslumbrar.

A Escola Joaquim Caeiro assenta nesses princípios, onde a criança pode ser apenas o que é e desenvolver uma estrutura emocional, mental, energética e espiritual adequada a si mesmo, em vez de ser adequada a algo que já foi ultrapassado e que só porque é tomado como 'normal' se está a seguir.

Num destes fins de semana, tive a oportunidade de estar num retiro no Algarve, onde tive o privilégio e a honra de partilhar momentos de verdadeira sabedoria e verdade com um miúdo de 13 anos - o Ricardo.

A nossa conversa, durante um exercício...

Ricardo, tinha entregue um pequeno papel onde manifestava a sua intenção para o fim de semana que dizia: 'Estou aqui para encontrar o meu Eu Interior'

Eu - Como te sentes neste momento?
Ricardo - (pausa)... sinto-me parte daqui... parte da mãe terra..
Eu - (mentalmente pensei -  uau! - e continuei - ... é como se cada árvore, cada folha, cada flor nos cumprimentassem não é?...
Ricardo - Sim... como se tivessem contentes por estarmos aqui e perceber a sua existência.
Eu - Sabes Ricardo, eu descobri com o meu despertar que afinal não temos poder nenhum sobre a terra...
Ricardo - ... nem sobre a água, ou o vento ou o sol... (interrompendo)
Eu - ... sim. O que acontece na verdade é que, quando estamos sintonizados, (ao dizer esta palavra questionei internamente se o Ricardo entenderia o verdadeiro significado da mesma, mas ao perceber o seu brilho nos olhos percebi que esta também era a sua linguagem) ... com o momento, temos acesso à essência da vida, que nos permite perceber até a nossa própria presença em nós. Por exemplo, costumo dizer que a brisa é um abraço de Deus, que nos cumprimenta e nos confirma que estamos ligados à origem da manifestação.

Os olhos do Ricardo brilhavam e o seu rosto esboçava um sorriso de conhecimento e de quem estava a saborear o momento.

Perguntei-lhe: Ricardo, se tivesses poder para mudar o mundo ou para fazer algo pelo mundo, o que farias?
Ricardo - Fazia com que todos os corações dos homens voltassem a acreditar. Porque só aqueles que acreditam poderão conhecer e fazer parte do Reino de Deus...

.. naqueles instantes a minha alma reconheceu nesta presença algo que transcendia o momento - de repente era como se o Ricardo fosse eu na sua idade quando acreditei que era Jesus e falava a mesma linguagem... as lágrimas quentes de amor e gratidão espreitavam o mundo, mas eu contive-me, queria que aquele momento continuasse como um momento normal e deixar que tudo fluísse livremente.

Ricardo, e aqueles que não acreditam ou se recusam a acreditar... haverá salvação para eles?
Ricardo - Apenas o amor os pode salvar.

As nossas almas falavam agora em silêncio. Era como se de repente a minha alma tivesse encontrado o seu mestre e a alma do Ricardo tivesse encontrado o seu discípulo. Algo único e que nunca havia sentido.

Terminámos com um abraço e voltámos a casa.
No caminho de regresso ainda questionei: Ricardo, acreditas que as pessoas tem de caminhar ou aspirar um determinado patamar espiritual para serem mais felizes e inteiras?
Ricardo - ... se somos o momento... (pensava em voz alta) ... então nada precisamos fazer.
Eu - Entendes então que já chegámos e que apenas basta ser o que somos, porque outra alternativa não existe?
Ricardo - (enquanto abria os braços e se exprimia com ar convicto e óbvio) Claro... já somos!

Ao longo do fim de semana pedi a Ricardo para me ajudar, criando um exercício para o grupo tendo como objectivo levar o grupo a encontrar o seu eu interior - e o Ricardo levou-nos para a mãe terra, fez uma pequena meditação onde referiu as raízes, o céu e a terra... onde pediu para escutar-mos a voz da natureza e das árvores e para sentirmos o abraço de Deus que se aproximava... e que realmente aconteceu segundos depois! Além disso pediu-nos para ver com os olhos do coração, algo que é usual e base de tudo o que sou...
O meu coração rejubilava tanto amor e gratidão por estar na presença de alguém tão próximo da minha origem. Como se tivesse encontrado um colega da escola da verdade... da realidade e dos tempos em que Jesus viveu - porque até Jesus foi referenciado pelo Ricardo.

Após o exercício, dei o nome da alma ou nome espiritual aos que ainda não tinham - nome que simboliza o passo para a criação de uma nova identidade tendo por base a verdade e a mais pura essência da identidade original... aquilo para o qual viemos para ser - e o nome de Ricardo, livre de qualquer manipulação de ego da minha parte foi este: YASMINSEF (O SEM NOME).

Quase no final do retiro, Yasminsef manifestou vontade em ficar mais perto de mim e continuar a partilhar o seu conhecimento e lembrar-se ainda mais de quem era. Viver no Monte da Fonte uns tempos tornou-se uma possibilidade no coração daquele jovem.
Nesse momento, em que ele manifesta essa vontade, dentro de mim algo despertou e ficou claro a ideia do momento em que o aprendiz deseja estar junto do seu mestre. Numa época diferente, numa cultura diferente, esta seria a altura em que o Ricardo escolheria estar junto de quem o reconheceu e com quem se identificou. 

E aqui entra o teor de todo este texto - uma criança que não se identifica com a escola... que é olhado de lado pelos colegas porque a sua linguagem não é entendida... uma criança que vê com o coração e se encontra tão próximo da concretização da sua verdade... como pode ter o mesmo tratamento e ser considerado parte de um sistema que apenas contribui para o esquecimento da verdade pessoal?

As desculpas e justificações são inúmeras - o emprego no futuro, a família, o que os outros pensam e acham... blá... blá... blá...  - e pergunto: Como podemos contribuir para a mudança se abafamos todas as possibilidades da mesma?

Yasminsef e todas as crianças que sintam o chamamento, eu estou aqui pronto e disponível para vos acolher, para crescer convosco e para juntos criarmos um mundo ideal, onde a única religião será o AMOR e a VERDADE.

JC - Shekhinah - Shikin

Temática em discussão e parte do Projecto que estou a desenvolver.
Estou disponível para ir à sua escola e expor a minha visão sobre esta matéria!


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