Professor de Meditação | Psicoterapeuta da Alma & Life Coach | Orador | Escritor | Hipnoterapeuta | Sexualidade Sagrada

13 de janeiro de 2016

A Inteligência é Inocente

A criança está muito mais próxima da fonte. A criança é inteligência no seu estado mais puro. Ainda não foi atingida pelo mecanismo infeccioso da sociedade. Ela é no seu estado mais puro, como um quadro em branco, onde tudo pode ser escrito... onde todas as possibilidades poderão emergir. A criança é o inicio, a fonte e a raíz, onde tudo o que envolve o comportamento humano começa. A criança é nascer do sol - limpo, livre e autêntico. É a oportunidade que a humanidade precisa para se salvar e 'recuperar'.

Não tarda muito que essa criança não seja impingida pela sociedade, pela família e pelo que é assumido como 'normal'. A sociedade precisa de dar continuidade ao seu estigma, mesmo sabendo que é a sua prisão, é mais confortável continuar a criar uma espécie de escravidão camuflada. A sociedade precisa abafar a inteligência pura da criança, para que não se desorganize e perca essa estrutura manipulativa que mantem a sociedade tal como a conhecemos - dependente do exterior. A sociedade tem muito medo que a inteligência pura da criança prevaleça e se torne um vírus contagiante, que poderia terminar com a relaidade do conforto ilusório.

Rapidamente, e quase sem darmos conta disso, a sociedade, a família, vão escrever nesse quadro em branco e puro que é a criança, que ela é católica, envangelista ou de outra religião qualquer. Vão impingir-lhe um nome, uma identidade e uma história - a começar pela sua própria família. Vão convencê-la que precisa alcançar, dominar, possuir, ter para ser alguém que mereça respeito e atenção. Vão apagar, lentamente todos os registos que a lembram da sua pureza mais pura e da sua criancisse genuína. Vão ignorar a sua inteligência e torná-la um robot humano... um seguidor de algo com poder...

Essa criança não pode perdurar muito tempo desperta em si mesma, pois torna-se um perigo para a continuidade da sociedade hipócrita que se baseia em tudo menos em si mesma. Essa criança tem de se esquecer do seu potencial, para seguir alguém ou algo com mais poder e ser sempre dependente e obediente disso.

Tudo começa com os pais. São os pais que tem a obrigação de despertarem para a possibilidade de preservar a originalidade do seu filho. Hoje em dia, felizmente, conheço algumas mães exemplo que são ao encontro desta visão - mas é preciso mais!
Quantos pais eu não conheço diariamente e ao longo de todos estes anos como Psicoterapeuta da Alma, que se apoiam na satisfação do ego, para educarem as suas crianças? São muitos os pais, em que, observo a sensação de satisfação, por perceberem que o seu filho depende deles. Aliás, são muitos os pais que tem filhos para se concretizarem a eles próprios - como se o filho viesse validar a sua existência. Quanto mais dependentes os filhos estão dos pais, melhor eles se sentem... E depois, investem numa suposta criatividade irreal, onde se escondem deles próprios e se refugiam adiando a resolução dos seus problemas internos.

Mas algo está a mudar - felizmente!
Cada vez que vou às escolas, e encaro com adolescentes sedentos de serem vistos e amados tal como são - sem tirar nem acrescentar seja o que for (que é a base que move todo o ser humano) - a minha alma fica furiosa e torna-se rebelde. 

Lembro-me agora de um episódio, em que um aluno tinha um boné na cabeça, durante a minha palestra sobre INTELIGÊNCIA EMOCIONAL. Uma professora na sua ação consciente indicou ao aluno para tirar o boné, pois era falta de respeito. Aproveitei a situação e em tempo real fiz questão de lembrar a todos os presentes - mesmo que nunca mais me convidassem para voltar a ir aquele lugar - de que, para chegarmos à essência daqueles que estão mais próximos da fonte, precisamos 'descer' (ou subir :-) ) ao 'nível' deles, para os entender e cativar. Impor algo sem argumento plausível é negar a essência inteligente que se encontra na base daquele determinado comportamento - seja ela qual for.

Precisamos apoiar a inteligência natural presente em cada quadro branco... em cada criança, adolescente... 
Precisamos criar condições para re-lembrar a essas fontes puras, que é possível e real existir ao encontro dessa liberdade de ser.

Um dia alguém me pediu para tomar conta da sua filha, ou melhor, mostrar à sua filha a melhor forma de estar e ser - eu fiz pior do que ela fazia em muitas situações - pois mais importante do que impor algo, que pela experiência, maturidade, vivência já alcançámos, é necessário ressalvar e evidenciar a essência mais pura daquela existência - e sim, naturalmente conseguiremos milagres em toda a manifestação do adolescente.

Quanto mais inteligente for a criança/adoelscente, mais rebelde se torna - porque se sente desenquadrada do cenário em que se encontra - salvo se esse ambiente já for devidamente harmonioso.

Seguir, imitar, dizer 'sim' a tudo, só porque sim, anuir sem questionar, é burrice!

Um dia, um aluno numa aula de Filosofia, tem a coragem de assumir o seu pensamento. Contra a sua timidez, vermelho quem nem um tomate, diz o que pensa e sente. 
Os olhares dos colegas reprovando a sua atitude, fizeram com que este aluno no final quesitonasse o que havia pensado e refletido.
Em aulas seguintes, o mesmo aluno prestava atenção ao comportamento interesseiro por parte de alguns colegas e a necessidade de chegar ao fim com boa nota - enquanto esse mesmo aluno apenas se preocupava em perceber o que era discutido e falado na disciplina mais expansiva que conhecia. Esta postura fez deste aluno uma ameaça para a turma e até para os momentos de 'deixa andar' por parte do professor. E tudo porque este aluno questionava e queria saber a raíz de tudo o que se falava.

Este mesmo aluno, questionava em todas as disciplinas, para que serviria tudo aquilo na vida prática, num futuro próximo. Mas ninguém lhe sabia responder e explicar ao certo - tudo tinha de ser assim, porque era assim que alguém tinha dito que deveria ser e pronto!
Esse aluno percebeu que tinha duas opções, ou se tornava rebelde, ou fazia de conta de caminhava junto com o sistema que lhe era apresentado.

Esse aluno era eu!
Por isso, hoje, compreendo tudo o que envolve a originalidade do individuo.

Pensa nisso e faz o teu papel, como pai, como professor, como irmão, ou como amigo - sendo apenas tu próprio e permitindo assim que todos sejam!

Abraço-te

O meu próximo artigo: A Obediência e a Concretização do EU

Questões e marcações: jcaeiro@live.com.pt

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