Professor de Meditação | Psicoterapeuta da Alma & Life Coach | Orador | Escritor | Hipnoterapeuta | Sexualidade Sagrada

1 de janeiro de 2017

Cegueira ou estupidez natural?

Gostava de começar 2017 a escrever sobre aspectos positivos e de esperança, mas por vezes a voz interior da razão comanda-nos e somos obrigados a expressar o que sentimos, para não corrermos o risco de sermos 'mais um', a ignorar a verdade da realidade em que vivemos.

Atravessamos uma época de grande expansão de informação. 
O ser humano pode aceder a qualquer resposta ou saber de qualquer assunto, clicando apenas numa tecla. Além disso, e talvez o mais grave, o ser humano tornou-se demasiado previsível e mecânico - alvo fácil de quem está fora desse automatismo cego e irreal.

Teoriza-se cada vez mais, usando palavras e afirmações de esperança e projecções para algo melhor e mais feliz, mas daí não passa - continuamos a carregar culpas, continuamos a esconder feridas não curadas e a fingir que tudo está a ir bem, e que fazemos o que é necessário para terminar com esta sombra que paira e se torna cada vez mais flagrante na humanidade - o terrorismo global.

Uns falam de fé e de amor, outros de paz e segurança, e outros simplesmente limitam-se a executar as suas funções, como 'servidores da pátria' e da verdade política, económica e social imposta por um comando doente e falhado.

Mas, caros leitores, amigos e seguidores do que escrevo, está tudo baralhado e cego!
Inclusivamente aqueles que descobrem uma pequena lembrança da luz interior, perdem-se de seguida nos aplausos internos do ego. 

Será que é muito difícil perceber que o terrorismo acontece pela desigualdade e diferença no mundo? Será que é muito difícil perceber que tudo acontece e é perpetuado porque a corrida ao poder é cada vez maior?
Como podemos, por exemplo, ficar indiferentes a uma ameaça nuclear, por parte de uma grande potência, como a Coreia do Norte?
Como podemos, por exemplo, continuar indiferentes aos milhares de euros e dinheiro gasto em luzes, fogos de artifício, numa simples passagem de ano, que nada mais é do que 'mais uma noite' - enquanto milhares de seres humanos morrem à fome... enquanto outros desejam um tecto para dormir, a salvação para a sua doença ou a conquista de mais tempo de vida!??!

Como pode não haver desigualdade, terrorismo e gente desequilibrada, matando apenas porque 'lhe apetece' ou porque se passou da carola, quando perante todas estas realidades, continuamos impávidos e serenos reagindo com a continuidade dos mesmos comportamentos e hábitos?

Sim, podemos criar realidades positivas... abrir o coração, e fazer apenas o que temos de fazer - a nossa parte - mas, precisamos estar atentos e preparados, para não cairmos nos mesmos mecanismos que tornaram o homem cego e o levaram à ilusão do certo e 'seguro'! Precisamos parar e reflectir... ver com os olhos do coração e com a verdade mais pura, o que está a acontecer. 
A realidade em que vivemos faz-me lembrar a velha história dos caranguejos quando são cozinhados: os caranguejos são colocados vivos dentro de um panelão e a água começa a aquecer - apesar de sentirem a água a aquecer, permanecem como se nada fosse.... e lentamente deixam-se cozinhar, sem se aperceberem disso - assim somos nós!

É urgente acordar e tirar a venda dos olhos - ver o que precisa ser visto e fazer o que precisa ser feito. Não temos de salvar o mundo, nem resolver processos e histórias de ninguém, comecemos apenas por nós mesmos - com toda a realidade e verdade que é digna de ser respeitada e tida em conta.

Não se trata de irmos para a rua e entrar em manifestações de grupo, ou acções fundamentalistas que, a nível vibracional, só alimentam ainda mais o mecanismo manipulador de que somos alvo, trata-se de CONSCIÊNCIA, algo que acontece individualmente que só se pode tornar colectiva, quando for validada devidamente por cada um... por cada existência única e original que habita nesta magnífica nave, a que chamamos terra.

Aqueles que estão despertos, estão a salvo, pois conseguem de alguma forma arrumar e integrar toda a realidade que vão encontrando, transmutando e vivendo da melhor forma possível, mas isso não será suficiente - é necessário trazer esse comportamento a uma realidade visceral e de inteira fidelidade para com a existência - precisamos ser e esgotar todos os indícios e estímulos que nos possam de alguma forma afastar da verdade existencial e viver a consciência da luz que somos.

Quando observo este mundo e esta forma de ser e estar, é como se todo o ser humano pairasse à superfície de uma realidade, com medo de aprofundar e assumir o que quer que seja. Vive-se muito a superficialidade existencial, dando-se cada vez mais importância a momentos 'cibernáuticos' irreais do que momentos reais presenciais.

Vivemos ainda numa realidade do 'eu acho que' - como se a opinião fosse transformadora e responsável pela mudança...
Apesar de tanta informação a circular continuamos a navegar nas águas da estupidez e da precaução, descurando a possibilidade de que temos, somos tudo o que precisamos para ser inteiros e felizes e mais do que isso, detemos o poder maior nas mãos, relativamente a mecanismos políticos, económicos e sociais.

Ninguém está ileso... ninguém se livra de responsabilidades, até mesmo eu, quando escrevo o que sinto, corro o risco de ser tomado como pensador revolucionário de consciências, ou ainda um alucinado que vê coisas onde não existem!
Por isso, e por não haver escapatória possível, faço questão de, quando em vez, manifestar o que sinto e o que vejo por estes olhos críticos humanos que me tornam real aqui. Mas mais do que isso, é preciso agir como tal, em vez de fingirmos que está tudo bem e tapar os olhos, como quem brinca à cabra-cega.

Neste inicio de ano, peço-vos que parem e olhe com o coração.
Assumam verdadeiramente a responsabilidade sobre os vossos actos e sobre a vossa existência que é única, perfeita e original. Que façam perdurar a lembrança de que podemos agir em inteligência, na simplicidade do ser, em vez de alimentar mecanismos que podem corromper e comprometer o nosso futuro como humanidade.

Ser positivo, não significa ser cego, ou ignorar os problemas do mundo.
Ser positivo, não significa agir como se nada tivéssemos a ver com isso, quando sabemos que estamos interligados e que somos UM.
Seria bem mais fácil criar uma realidade só nossa, onde prevalece o nosso ideal, o nosso conforto e bem estar - mas precisamos lembrar que somos parte deste todo existencial.

Começa por ti é certo, mas lembra-te da realidade em que vives e de permanecer atento e ciente da tua influência nessa mesma realidade, e lembra-te que, se tudo continuar a ser igual, podes alterar isso, tornando-te ainda 'melhor' e mais inteiro e verdadeiro.

Vive, mas ciente de quem és e do que é a vida - uma única oportunidade para viveres essa personagem!

Feliz 2017 meus queridos, e desculpem qualquer coisita, quando me refiro a assuntos que podem não ser muito agradáveis de se ter em conta - mas que é necessário relembrar de vez em quando!!

Até já

Paz e Amor em vossos corações

JC

jcaeiro@live.com.pt

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